
Da Amazônia aos conselhos, olhares femininos mostram como humanidade, estratégia e coerência se tornaram centrais para o futuro dos negócios
A COP30, realizada em Belém, colocou o Brasil e a Amazônia no centro da agenda climática global. Além das negociações diplomáticas e anúncios de financiamento, a conferência revelou dimensões humanas, estratégicas e éticas que ajudam a compreender os desafios reais da transição climática.
A partir da vivência direta de três conselheiras associadas ao Capitalismo Consciente Brasil, que estiveram presentes no evento — e da leitura institucional de sua CEO, Daniela Garcia, emerge um retrato que vai além dos acordos formais e aponta para o papel decisivo das empresas no cenário que se desenha.
Para Vania Bueno, Fundadora da VB Comunicação na Governança e conselheira do Capitalismo Consciente Brasil, a COP não pode ser reduzida a relatórios e metas. A experiência de circular pelos pavilhões e corredores do evento evidenciou algo mais profundo: “A COP é frequentemente associada a metas e discursos oficiais, mas, para quem vive o evento, ela se revela antes de tudo como um encontro humano. Não existe agenda climática sem humanidade”, explica.
Essa dimensão humana, reforçada pela realização da conferência no coração da Amazônia, trouxe também reflexões sobre propósito e coerência. Ligia Camargo, Fundadora de Sustentabilidade na The Heineken Company e conselheira associada, destaca que a COP funcionou como um espelho dos dilemas enfrentados por organizações que se dizem sustentáveis: “Vivenciar a COP30 foi perceber, em escala global, o mesmo desafio que vemos nas empresas: alinhar propósito declarado com decisões concretas, especialmente quando elas exigem escolhas difíceis”, afirma.
Se por um lado Belém simbolizou propósito, por outro deixou claro que a transição climática entrou definitivamente na fase da implementação. Para Tarcila Ursini, conselheira associada, a conferência marcou uma virada no papel do setor privado: “A pergunta deixou de ser ‘o que fazer’ e passou a ser ‘como fazer acontecer, na velocidade e escala necessárias’. A transição climática vai acontecer ou fracassar dentro da economia real”, ressalta.
Esse novo estágio traz consequências diretas para conselhos, lideranças e estratégias de negócio. Segundo Daniela Garcia, CEO do Capitalismo Consciente Brasil, a COP30 reforçou que clima e natureza deixaram de ser temas periféricos. “A agenda climática não pode mais ser tratada como reputacional ou acessória. Ela é estratégica e precisa estar no centro das decisões empresariais”.
A pluralidade de vozes presentes em Belém, povos indígenas, sociedade civil, empresas, governos e cientistas, também evidenciou avanços importantes, mas não sem limites. Ligia observa que a inclusão ainda precisa evoluir para influência real. “Orientação para stakeholders não pode ser apenas presença simbólica. Ela só se concretiza quando comunidades, territórios e populações vulneráveis têm poder efetivo de decisão”.
Nesse contexto, a responsabilidade individual ganha centralidade. Para Vania, reconhecer as pessoas por trás das siglas muda a forma como a agenda climática é vivida: “Quando lembramos que por trás de cada meta existem pessoas, territórios e histórias reais, a responsabilidade deixa de ser abstrata e passa a ser pessoal”.
Diante das lacunas deixadas pelo consenso multilateral, a COP30 reforçou que a implementação da transição acontecerá principalmente fora das salas de negociação. “Clima e natureza passaram a ser temas fiduciários. Ignorá-los compromete competitividade, acesso a capital e longevidade dos negócios”, destaca Tarcila Ursini.
Na avaliação institucional do Capitalismo Consciente Brasil, o aprendizado de Belém é claro. “Empresas que desejam prosperar no longo prazo precisarão incorporar propósito, ética e regeneração como parte do modelo de negócio — não como discurso, mas como prática cotidiana”, conclui Daniela Garcia.
A vivência da COP30 mostrou que a transição climática exige mais do que compromissos formais: demanda coerência entre intenção e ação, liderança consciente e corresponsabilidade entre governos, empresas e sociedade. Para além dos acordos, o futuro será moldado por quem conseguir transformar discurso em prática.
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Sobre o Capitalismo Consciente Brasil
O Capitalismo Consciente Brasil é uma organização dedicada à promoção de conceitos e práticas relacionados ao Capitalismo Consciente. Com uma década de história e liderança visionária, a entidade tem desempenhado um papel crucial na transformação cultural das empresas, incentivando lideranças conscientes pela construção de um legado para as próximas gerações. Atualmente, o CCB conta com 100 empresas associadas, englobando um ecossistema de mais de 8 mil pessoas engajadas pelo conceito, 70 A.Gentes Conscientes atuando como multiplicadores em todo o Brasil, além de 8 conselheiros consultivos. Por meio de uma abordagem inclusiva e colaborativa, o CCB reúne empresas, líderes e parceiros em um ecossistema dinâmico, focado em educação e disseminação do conhecimento em áreas essenciais para negócios socialmente responsáveis e alinhados à sustentabilidade. Sua missão é inspirar e capacitar as organizações a se tornarem agentes de mudança positiva, acreditando no poder transformador da consciência empresarial.
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