
FIESP promove seminário estratégico sobre os desafios globais e a posição do Brasil
No dia 4 de setembro, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) realizou, em sua sede na Avenida Paulista, o seminário estratégico “A Nova Geopolítica e o Papel do Brasil no Mundo”. O encontro reuniu especialistas, lideranças empresariais e autoridades para discutir como o país deve se posicionar diante das transformações na ordem internacional.
A abertura contou com a participação de Josué Gomes da Silva, presidente da FIESP; Rafael Cervone, presidente do CIESP; Pedro Wongtschowski, presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (CONIC) da FIESP; e Jackson Medeiros Schneider, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (COSCEX) da FIESP.
Segundo a FIESP, o objetivo do evento foi analisar as mudanças no cenário geopolítico internacional, avaliar ameaças e identificar oportunidades para o futuro do país.
Painel 1 – Multipolaridade e Fragmentação da Ordem Internacional

Moderado por Igor Gielow, repórter especial da Folha de S. Paulo, o primeiro painel reuniu Alexandre Guido Lopes Parola, embaixador e ex-chefe da missão permanente do Brasil na OMC; Eduardo Bacellar Leal Ferreira, almirante-de-esquadra da Marinha do Brasil; e Andrea Matarazzo, ex-secretário de Estado e especialista em relações internacionais.
Os debatedores analisaram a transição para um mundo multipolar, marcado pela ascensão da China, o declínio relativo dos Estados Unidos e o ressurgimento da Europa. Para Parola, “a fragmentação precede o multilateralismo. Hoje, a previsibilidade deu lugar a cenários muito mais complexos, com múltiplas variáveis em disputa”.
Entre os pontos destacados estiveram:
O peso econômico dos EUA (cerca de 25% do PIB mundial), da China (16%) e da União Europeia (14%).
A disputa por hegemonia entre Estados Unidos e China, com especial atenção às vulnerabilidades chinesas nas rotas marítimas e à importância estratégica de Taiwan.
O impacto de questões climáticas, como o degelo do Ártico — que pode abrir novas rotas de navegação — e a deterioração ambiental em regiões vulneráveis como Bangladesh.
Para a indústria brasileira, os especialistas apontaram recomendações práticas: diversificação de fornecedores, criação de planos de contingência, ampliação de exportações e investimentos em sustentabilidade.
Painel 2 – Tensionamentos Geopolíticos

O segundo painel foi presidido por Pedro Wongtschowski (CONIC-FIESP), moderado por Marcelo Godoy, repórter especial do Estadão, e contou com Alberto Pfeifer, coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional em Defesa, Segurança e Inteligência da USP, e Sergio Fausto, cientista político e diretor-executivo da Fundação FHC.
Pfeifer defendeu que a análise geopolítica tradicional já não basta: “É preciso pensar de forma tridimensional, incorporando disputas no espaço, no fundo dos oceanos e, sobretudo, no eixo da virtualidade, que envolve internet, tecnologias quânticas e redes sociais”. Ele lembrou ainda que 26% da população mundial já vive sob influência do crime organizado, com impactos diretos sobre a economia global.
Sergio Fausto destacou quatro pontos de reflexão:
A divisão de poder entre Estados e grandes corporações;
O redesenho institucional em curso;
O crime organizado como ator internacional, afetando logística e cibersegurança;
A necessidade de resgatar o debate sobre segurança para além do âmbito eleitoral.

Painel 3 – Geoeconomia e Comércio Internacional

O terceiro painel trouxe reflexões sobre a mudança estrutural do comércio global. O debate destacou que a antiga visão de globalização como sinônimo de bem-estar e eficiência deu lugar a um cenário de geoeconomia, em que países buscam relações comerciais estáveis e seguras, mesmo que menos eficientes.
Participantes ressaltaram que essa mudança vem sendo consolidada inclusive pelos Estados Unidos, sob governos de diferentes espectros políticos. A chamada “incerteza estrutural” das parcerias internacionais reforça a tendência de países diversificarem alianças e buscarem maior autossuficiência.
Para o Brasil, o cenário traz riscos e oportunidades. De um lado, a polarização política interna ameaça a previsibilidade necessária para relações comerciais de longo prazo. De outro, avanços recentes, como a tramitação do acordo Mercosul–União Europeia, indicam espaço para aprofundar laços com parceiros estratégicos.
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O que Aprendi
A principal lição deixada pelo seminário é que a geopolítica precisa ganhar mais atenção dos empresários e empreendedores brasileiros. Não podemos nos limitar ao papel de espectadores: somos agentes ativos na sociedade.
Estar atento aos movimentos internacionais e saber fazer conexões pode se tornar uma arma poderosa no momento das tomadas de decisão — colocando as empresas à frente em um cenário de incertezas.
O evento mostrou que o Brasil tem ativos valiosos — alimentos, água, energia e biodiversidade —, mas também enfrenta desafios sérios, como a influência do crime organizado e a necessidade de maior abertura econômica. O caminho exige estratégia, estabilidade política e protagonismo empresarial para transformar riscos em oportunidades.
Eliane Bastos
Consultora de Marketing da Ello Consultores
Publisher no portal Feiras Industriais
Blogueira no Marketerapia
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